segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Réquiem para uma era


     Está tudo tão quieto, tranquilo. O silêncio governa os tempos ao lado da majestade, o sabiá. As águas são regidas pelo vento e as gotas de chuva as vem visitar de vez em quando como um inspetor mal amado. A selva adentra a cidade, do concreto brota vida, e onde antes as pessoas trabalhavam agora é só vazio e solidão. Solidão essa que ás vezes é interrompida pela visita de um ou outro bicho rondando a área como um investidor avalia um terreno antes de comprá-lo.
     Até a mãe natureza sente falta de nós. Não tendo mais em quem descarregar sua ira criou novos continentes apenas para enchê-los de vulcões tão descontentes quanto mil Vesúvios e assim aliviar um pouco o estresse. É isso mesmo que estou ouvindo prezado amigo? Depois de milhões de anos eles retornaram, os dinossauros agora dominam a Terra como sempre deveria ter acontecido se não fosse por um descuido do destino. Pobre raça humana, mal sabe que só foi o que foi pela simples confusão de um estagiário que trocou relatórios.
     Tudo voltou ao normal, pode até levar algum tempo até que os estragos sejam reparados, mas nada que algumas chacoalhadas aqui e umas ondas gigantes ali não resolvam. Não tema! Em breve até os bichos-preguiça poderão voltar a voar como sempre fizeram. Agora você pensa que sabe de toda a mentira.

Yellow Submarine


A troca do amor

Uma dose de uísque e um blues de música de fundo. Essa era a vida de Ferdinando pós a morte de sua amantíssima esposa, na verdade, ninguém sabia ao certo o que acontecera com a mulher, a história que todos tinham em mente era um assassinato, a história que contavam era a seguinte: 
“Certa tarde, Vilma, a suposta morta, saiu de casa para visitar sua mãe, ela preferiu ir andando at

é para dar uma espairecida, pois fazia umas semanas que ela só brigava com Ferdinando. Dizem que no meio do caminho um homem abordou-a, ordenou à moça a nudez, e, com uma arma apontada em tua cabeça ela foi arrastada para uma casa, na qual, foi submetida, enfim, a fazer tudo o que o homem ordenava-lhe!
Passaram-se dias, ninguém tinha notícias do paradeiro de Vilma, quando de repente chega na casa de Ferdinando uma carta, uma carta curta, que dizia: ‘Encontre seu amor há quatro quadras de sua casa, no casarão abandonado’. Eufórico, mas com certa desconfiança, Ferdinando saiu correndo de sua casa. Chegando lá, o homem viu que a porta estava somente encostada. Ele entrou, o cenário era horrendo, o chão estava coberto de sangue, e sobre o único móvel do local, encontrava-se um recado, que também estava com gotas de sangue, este dizia: ‘Foram difíceis nosso tempos de brigas. No caminho para casa da mamãe, um homem me abordou, no princípio achei que ele queria somente me assaltar, mas outras coisas aconteceram. Fazem duas semanas que estou em poder deste homem, e o pior, ele me dá um prazer danado, mesmo sendo contra minha vontade. O amor que eu sentia por você, simplesmente, acabou. Adeus, Ferdinando’.
O cara não sabia o que fazer, não sabia se saía gritando ou chorando! Nem ele mesmo sabia descrever o que sentia!”
Porém, a vida de Ferdinando estava prestes a mudar.
Era noite, seu copo de uísque estava em cima da mesa de centro e o rádio tocava um famoso blues. Só que essa rotina estava preste a mudar naquela noite. Chovia. O relógio soou, apontando as exatas dez horas da noite. Ao soar do relógio, a campainha tocou. Ferdinando foi ver quem era. Ao abrir a porta, ele se depara com Vilma, a suposta morta. Seu coração começou a bater mais rápido. A moça entrou, quase atropelando Ferdinando. Ela estava com uma cicatriz no peito, como se tivesse sido cortada. Ferdinando pergunta:
-Você está bem?
- Eu vim pegar minhas roupas, partirei amanhã mesmo para Brasília... - responde Vilma
- Mas... por quê? O que aconteceu? Conte-me tudo, Vilma. Agora. – Ferdinando era nervoso, tinha o famoso “pavio curto”
- Não quero falar com você (pausadamente) nem com ninguém... Vou ao meu quarto arrumar minha mala.
Sem mais, Vilma vai para o quarto. Enquanto a mulher arrumava as malas, Ferdinando vai até um quarto que tinha em sua casa, vasculha a gaveta e volta para a sala com algo na mão.
Minutos depois, Vilma chega à sala com suas malas e diz:
- Agora vou indo. Nossas brigas me faziam mal, ainda bem que no caminho para a mamãe aquele homem me abordou. Ah, como foram boas aquelas semanas que passei naquela casa, era prazer e mais prazer. Ao contrário de você, ele fazia tudo o que eu queria, de vez em quando me batia no meio daquele rala e rola, mas não é que eu gostava...
- Não diga mais nada, sua... sua... prostituta...
Ferdinando sacou um revólver e atirou em sua mulher. A bala foi certeira, atravessou o peito e só foi parar na parede. Ferdinando sorriu, e quando o suposto seqüestrador entrou na casa dele, ouviram-se mais dois tiros.
Ao entrarem na casa, viram o corpo de Vilma ao lado do corpo do suposto seqüestrador, em posição sexual, e ao lado um bilhete que dizia: “Esse é o preço de quem troca o amor pelo prazer”

Paulo M. Junior